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Vocês já sabem o quanto eu sou desastrada, na cozinha então nem se fala e na semana passada quase aconteceu um desastre enquanto eu fazia almoço.

Como era fim de semana e meu namorado estava por aqui acabei acordando tarde e fui direto fazer almoço, sem tomar lanche nem nada, estava em dúvida entre fazer macarrão ou panquecas e como nem minha mãe nem meu namorado me ajudavam a decidir o que fazer fui adiantando o molho. Quando o frango estava cozido e não dava mais pra enrolar, dei um ultimato e acabaram optando pela panqueca, e foi aí que a coisa desandou.

Tentei bater a massa da panqueca com um fouet, mas como estava fazendo uma quantidade maior não deu muito certo e acabou ficando cheio de gruminhos e pra não ter que sujar o liquidificador resolvi usar o mixer pra terminar de fazer a massa. A pecinha que encaixa a hélice no motor bambeou e eu fui encaixar ela no lugar com meu lindo dedinho indicador, eis que a sonsa aqui não tinha desligado o mixer da tomada e sem querer ele ligou com meu lindo dedinho segurando a hélice. É, “aí”.

Na hora do susto meu namorado correu pra ver o machucado, falei logo que tinha sido fundo e que tínhamos que ir pro posto, então me deu a camisa pra eu fazer a compressa no dedo (NOTA: segundo o médico não use uma camisa ou tecido muito grande, use um guardanapo ou de preferência uma gaze, enrole no ferimento e faça pressão, assim a compressa absorve menos sangue e o sangramento é estancando mais rápido) e correu pra pegar a carteira de motorista, algum documento meu e outra camisa pra ele vestir.

” Mas que história macabra, Sabrina.”
Calma que é agora que o trágico começa a ficar cômico.

Enquanto meu namorado pegava as coisas pra gente correr pro posto eu já fui correndo pra rua pegar a chave do carro com meu pai que ao invés de correr pra casa dele e pegar a chave, vem me pedir pra ver.

– Foi fundo, pai vamos pro posto.

Dois mais dois passos e meu tio que estava passando na porta de casa e ouviu a confusão entrou pra ver e me pede pra ver também.

– Foi fundo, tio tô indo pro posto.


Nisso eu já ia perdendo a paciência e xingando por dentro “Mas que c@#$%&!, eu aqui sangrando e com dor e o povo preocupados em ver o machucado”. Se ao menos algum deles fosse médico.

Quando passei pelo portão, minha mãe que estava num banquinho na calçada estava tremendo que nem vara verde, tadinha. Parecia até que tinha decepado o dedo dela.

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Finalmente consegui enfiar no carro e fomos correndo pro posto, mas no meio do caminho tinha um radar, tinha um radar no meio do caminho, e num lugar fora de lógica com um limite de velocidade mais ilógico ainda: 40 Km/h numa avenida sem casas, escolas ou postos de saúde perto e meu pobre namorado com carteira provisória ao invés de largar esse detalhe pra lá e preocupar com multa depois (a final, com minha ficha no posto dava pra ir no Jari tirar a multa) resolveu pisar no freio pra não ter perigo de perder a carteira. Imagina a pilha de nervos que eu já estava ficando, né.

Durante o trajeto de carro eu ia tentando imaginar como tinha sido o machucado, se tinha acertado o osso ou um nervo importante e a cada minuto eu soltava a compressa um pouquinho pra dar uma cutucada na ponta do dedo e ter certeza que eu estava sentindo ele. Você tá rindo aí agora, mas não imagina o medo de perder o movimento do dedo que eu passei, indicador é um dedo importante.

Se não bastasse toda a tragédia até aí, o carro do meu pai que é híbrido gás/gasolina resolve dar problema no meio do caminho, a pecinha que troca de gás pra gasolina não queria funcionar e o carro não queria ligar. Estourei, mandei meu namorado trancar o carro que iriamos o resto do caminho a pé e ligaríamos no caminho pro meu pai vir dar um jeito no carro. Faltava cerca de 1 Km pra chegar na UPA e eu fiquei com vergonha de chamar uma ambulância pra me buscar até porque o corpo de bombeiros que geralmente é quem busca nesses casos estava na metade do caminho entre mim e o posto de saúde.

Fui a pé quase correndo e cheguei lá praticamente junto com meu pai, o que me deu uma raivinha já que eu podia ter esperado ele e não andado tanto no sol de barriga vazia e sangrando, mas ao menos uma coisa boa tinha que acontecer nessa história toda e eu fui atendida bem rapidinho, menos de 5 minutos já tinham feito minha ficha, me colocado pra dentro e o médico já queria arrancar o pano do meu dedo, isso mesmo, arrancar. No meio dessa confusão toda, depois de sujar meia camisa o sangue secou e a camisa ficou grudada no meu dedo. Como tenho muito amor por ele (apesar de não parecer) fui umedecer a camisa pro sangue amolecer e ela soltar do dedo, mas o médico queria puxar ela de uma vez “vai ser mais rápido e doer menos”. Uhum, ia doer menos no dedo de qualquer outra pessoa, não no meu.

Com um pouquinho de tolerância à dor consegui tirar a camisa sem arrancar meu dedo fora e pela primeira vez consegui ver o estrago no meu dedo, e não ficou bonito, não mesmo, a cara que o médico fez quando viu os 3 cortes completamente tortos me confirmou que não estava nenhum pouco bonito (não vou descrever muito pra não ficar nojentinho).

Quando eu pensei que a pior parte já tinha passado, eis que chega a hora de aplicar a bendita anestesia e eu sinceramente fiquei na dúvida se não teria sido melhor fazer tudo sem ela. Tudo bem que ela deixa seu dedo dormente e você não sente nenhum dos 8 pontos que o médico vai te dar, mas na hora de aplicar aquilo até o mais resistente dos resistentes chamam pela mãe. Imagina você com um machucado aberto e dolorido precisando de pontos e enfiam uma agulha dentro dele ALGUMAS vezes e aplicam um liquido queima e faz muita pressão. Ainda bem que o efeito é quase imediato e daí pra frente não senti mais nada, no dedo pelo menos.

Acontece que depois da confusão toda e de todo o estresse que eu passei, finalmente já tinha sido socorrida e já estava recebendo o tratamento, nessa hora a ansiedade baixou, a adrenalina baixou e a pressão também. Comecei a suar frio, o estomago começou a doer e a me lembrar que estava vazio.  Quase desmaiei e não tinha nem meu namorado pra eu poder escorar já que ele tinha ido resolver o problema do carro com meu pai. O médico até falou pra eu não olhar pro machucado, tadinho, mal sabia ele que meu problema não é nervoso de machucado ou coisa assim, era fome mesmo. Felizmente o tonteira durou pouco e o suor também, o suficiente apena pra minha coxas molharem o banquinho da sala de emergência todo.

Pouco depois de terminado o atendimento já estava tudo “bem” comigo e com meu dedo, eu e meu namorado já fazíamos piadinha (que não reproduzirei por serem algumas nojentinhas também) com a situação enquanto esperávamos as receitas.

Pra terminar bem a história quando cheguei em casa minha irmã que tinha chegado de surpresa vem me perguntar:

– E você foi parar lá com esse vestido manchado, sem sutien, descabelada e um pé de cada chinelo?
– Não, eu tomei banho, troquei de roupa, arrumei o cabelo e me maquiei antes de ir.

Eu mereço mesmo srsrsrsr

É, esse dia deu pano pra manga e me fez perceber o quanto meu indicador esquerdo faz falta (rsrsr), então sempre que for usar equipamentos cortantes, não faça como eu e tome cuidado, e se mesmo assim algum acidente acontecer, lembre-se de manter a calma e procura ajuda médica.

2015-08-15 15.09.35

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